Em homenagem ao Dia das Mães puxamos pra conversa Carmen e Sara Netto, mãe e filha, que têm a história de sua família envolta em retalhos, tecidos e cores.
Na década de 80, na deliciosa cidade de Gramado, em plena serra gaúcha, Carmen Netto declarou sua paixão por retalhos e estampas criando a Fio de Linha - Arte em Pano. Arte das mais genuínas, com suas peças em patchwork para toda a casa - almofadas, colchas, jogos americanos, tapetes, panôs - e outras tão ou mais charmosas na linha de acessórios.
Com o tempo a família cresceu. Em 2000, sua filha Sara passou a assinar como a nova sócia da empresa, com a grande responsabilidade de participar da criação e também de modernizar a Fio de Linha.
Assim, Carmen e Sara se entendem parceiras de uma vida.
por Vanessa Balula
fotos: divulgação
Coza em Revista: Como nasceu a marca Fio de Linha? De onde veio a sua paixão por tecidos, retalhos e cores?
Carmen: Na época em que surgiu a Fio de Linha, eu trabalhava com ilustração e surgiu a oportunidade de fazer um trabalho em tecido. Com isso, veio o desafio de trocar lápis de cor e tinta por tecido, sendo ele minha nova palheta de cores. Já tinha familiaridade com o material, pois minha avó me incentivava a brincar e criar com tecidos.
Coza em Revista: Qual a imagem mais remota que lhe acompanha desde a infância? Alguma em especial que tenha relação com o seu encantamento com a arte do patchwork?
Sara: A lembrança de estar embaixo da mesa de trabalho no atelier, com o barulho das tesouras raspando na mesa, caixas de retalhos à minha volta... Essas lembranças me acompanham todos os dias em que trabalho com patchwork. Esta brincadeira de sons, cores e misturas são minha maior referência neste trabalho.
Coza em Revista: As peças em patchwork remetem a casa da gente, ao aconchego... será essa a costura que lhes mantém trabalhando em família?
Sara: Sem dúvida é essa "casa" que nos mantém unidas.
Carmen: A costura, as linhas, os panos, resgatam o "feminino". Acredito que, unido a isso, a possibilidade de criação e expressão encanta a nós duas.
Coza em Revista: Abraçar a carreira dos pais não é uma das tarefas mais fáceis. Você foi duplamente corajosa: se desvencilhou dos nós e passou a trabalhar junto. Onde os sonhos se encontram?
Sara: É dificil se desvencilhar dos costumes e hábitos de mãe e filha. Mas quando se trata de um trabalho que lhe dê prazer e qualidade de vida, essa dificuldade é deixada de lado.
No dia a dia, nos sonhos simples, no amor pela natureza, nos valores familiares e na realização de criar e "construir" produtos, nossos sonhos se encontram.
Coza em Revista: As responsabilidades das sócias no dia-a-dia são colocadas de lado quando...
Sara: A filha precisa de colo!! (risos)
Carmen: Quando surgem assuntos e vontades pessoais e emocionais de cada uma. Aí, antes resolvemos essas questões para depois voltarmos ao trabalho.
Coza em Revista: Em que momento do dia você gostaria de ser um pouquinho filha?
Carmen: Quando algumas decisões administrativas devem ser tomadas e elas dependem diretamente de mim. Seria ótimo inverter os papéis.
Coza em Revista: Em que situação você se sente mais mãe?
Sara: Quando precisamos falar sério... é uma tarefa difícil se tratando da minha mãe.
Coza em Revista: Qual o fio que une a relação de mãe e filha?
Sara: Sobretudo o amor! Costurado com fios de algodão, lã e seda!!
Carmen: O que nos une são nossos gostos em comum: arte, manualidades e criação. Uma filosofia de vida, de simplicidade, harmonia, amor à natureza, respeito às pessoas que trabalham conosco, ao carinho pelos nossos clientes. Nós entramos na sua casa, com nossos produtos, e temos que ser gentis. Mas, sobretudo, o que nos une é um grande amor e admiração pela minha sócia. Nossa sociedade é o ponto de equilíbrio entre o novo e o velho.
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A Fio de Linha - Arte em Pano - que já esteve na Coza em Revista - fica na Av. Borges de Medeiros 2193, sala 3, em Gramado/RS. Fone 54 3286 1796.
Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br
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