Acima, vista do edifício São Vito por Antonio Brasiliano e corredor do São Vito por gUi Mohallem. Abaixo, apartamentos do edifício Mercúrio registradas pelo Coletivo Garapa
por Vanessa Balula
Com a ideia de humanizar a discussão sobre políticas públicas e sobre a revitalização do centro da capital paulista, a documentarista Camila Mouri pensou em retratar a desapropriação do lendário edifício São Vito, convidando para o projeto, alguns fotógrafos - gUi Mohallem, Antonio Brasiliano e Fabiano Cerchiari. O projeto tomou força e ganhou a vizinhança, sendo registrada também, a desapropriação do prédio vizinho, o Mercúrio, pelo coletivo Garapa, no ensaio 'Morar'.
Os dois mega edifícios que recebiam a alcunha de "treme-treme", foram desapropriados em diferentes momentos. O São Vito em 2004, na gestão da então prefeita Marta Suplicy, e o Mercúrio, em fevereiro deste ano, já na gestão Gilberto Kassab.
Para se ter uma pequena ideia do efeito dessas desapropriações, basta saber que o São Vito, até o início de 2004, alcançava a surpreendente marca de 3 mil moradores - que, certo dia, foram avisados que perderiam suas casas. Após as desapropriações, os prédios foram lacrados. As famílias partiram, mas suas histórias ficaram.
Assim, o projeto de Camila, que começou lá atrás, em 2003, ganhou ares de mostra: 'Habite-se'. Em 48 fotos e vídeos foram registradas as rotinas e depoimentos de seus moradores. A mostra tem seu cenário inspirado em alguns dos apartamentos, onde a grama do vizinho, definitivamente, não é a mais verde.
A mostra 'Habite-se', está sob a curadoria de Rita Toledo Piza e a cenografia de Veronica Arias. Na Galeria Olido - Av. São João, 473, Centro - São Paulo/SP. Fone 11 3334 0001. Até 30 de maio. Entrada Franca.
Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br
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