De cima para baixo: Renata e o premiado Banco Goma com luz, com função também de luminária; peça com ares vintage premiada na Movelsul 2002 e o novíssimo AMPOULE Risca de Giz. Mais abaixo, cenas do puf Uooou (menção honrosa no Prêmio Museu da Casa Brasileira 2004 e finalista na Movelsul 2004 e no iF Design 2006)
por Vanessa Balula
A designer catarinense Renata Moura, de 28 anos, é uma das grandes revelações da nova geração do design nacional. Formada há apenas 7 anos, já tem em seu currículo alguns dos mais importantes e desejados prêmios e indicações do mundo do design, como IDEA e IF Awards. E isto é só começo - por aqui talento e inspiração é o que não faltam. Em pleno abril de 2009, Renata já pode comemorar novos feitos. No último mês, o banco Goma - uma de suas mais conhecidas criações - ganhou Menção Honrosa no Prêmio Design Movelpar e já está como uma das finalistas no Salão Design Casa Brasil e no IDEA/Brasil 2009. Conheça conosco um pouco mais de Renata Moura e de seu trabalho.
Tudo começou quando... "eu era criança, sempre gostei de desenhar e tive uma educação visual formada pela minha mãe. Ela sempre teve muito bom gosto e me ensinou a olhar para os produtos com olhar crítico, avaliando detalhes, acabamentos, marcas, etc. Nós víamos muitas revistas e livros de arte, arquitetura e design. Também gostávamos de ir fazer 'pesquisa' em lojas de móveis, roupas e exposições. Portanto, desde que me conheço por gente sou apaixonada por isso tudo. Me lembro da primeira vez que vi, em uma revista, a cadeira Panton - uma das peças que revolucionaram a história do design mundial por ser a primeira cadeira de plástico injetado. Criada pelo designer Verner Panton, a cadeira também se destaca pela proposta da praticidade: ser empilhável. Fiquei encantada e decidi que seria isso que eu faria quando crescesse."
Coza em Revista: Conte um pouco pra nós sobre a sua paixão pelo design.
Renata Moura: Tenho necessidade de mudar e melhorar as coisas. Paixão e vontade de desenhar tudo, porém a paixão por móveis talvez seja a maior. Se me perguntarem o que tenho vontade de desenhar a lista será bem longa, englobará muitas comidas (chocolates, biscoitos, sorvetes), jóias, aparelhos eletrônicos, sapatos, relógios e, provavelmente, não terá fim.
CR: O aspecto lúdico está presente em muitas de suas peças - esta é a Renata se divertindo com o que faz?
RM: Com certeza me divirto muito com o meu trabalho. O aspecto lúdico está presente nas minhas peças, porém não é o único que aparece, também faço peças sérias e elegantes. Acredito que antes de tudo, o mais importante é desenhar uma peça que desperte a curiosidade, que fixe o olhar da pessoa e faça ela ter vontade de chegar perto, tocar, experimentar.
CR: O que inspira você?
RM: Tudo! Um sonho que tenho à noite, uma sombra projetada na parede, uma caixa jogada na calçada, assistir animes, filmes cult, exposições de arte, dança contemporânea, desenhos de crianças, viagens...
CR: Como é o seu processo de criação?
RM: O meu processo pode acontecer de duas maneiras: solicitado por um terceiro ou design autoral, ou seja, onde crio, produzo e comercializo. No caso de ter um cliente, o início é bem racional: coleto dados sobre o público alvo, processos de fabricação disponíveis, mercado de concorrentes. Se for eletrodoméstico, por exemplo, pego as dimensões de componentes que vão dentro do produto, pergunto para o cliente o que ele pretende com esse projeto e depois desse estudo feito, analiso os possíveis caminhos e só depois começo a desenhar.
Quando a peça é para compor a minha coleção, o processo é mais solto e cada vez acontece de um jeito diferente. Às vezes a inspiração vem em um click, com a ideia quase pronta na cabeça, outras vezes estudo o mercado e vejo o que está faltando.
CR: Como faz para trabalhar com materiais tão diferentes - madeira, tecido, borracha...
RM: Gosto de trabalhar com vários tipos de materiais para não ter muita limitação. É importante ter esse conhecimento, pois cada projeto pede um material diferente. Na época da faculdade, fiz dez estágios em diferentes áreas para começar a ter esse conhecimento, além de cursos extra curriculares, visitas a feiras e fábricas. Depois, com os meus trabalhos fui aprendendo sobre mais processos e sempre que posso, gosto de visitar fábricas. Cada projeto pede um material específico, depende do uso e da disponibilidade tecnológica do fabricante.
CR: Quando o assunto é design o que não pode faltar?
RM: É importante que o projeto tenha um conceito, que o todo e cada detalhe do design tenha um porquê. Além de justificar a forma, os materiais e acabamentos têm que ser bem pensados. Funcionalidade, conforto, bom acabamento e preço justo.
CR: O que gostaria que soubessem sobre o seu trabalho?
RM: Destaco duas características: a primeira é a quantidade e diversidade de produtos que já realizei. A segunda é o conhecimento em materiais e processos de fabricação. Nesses 7 anos de formada, tive oportunidade de trabalhar com vários materiais diferentes complementando o conhecimento, e até hoje, entrar em uma fábrica é um verdadeiro presente e fonte de inspiração pra mim.
CR: Ser uma designer com prêmios importantes no portfólio e seguir com grandes indicações ? o que representa para você?
RM: Esse reconhecimento me deixa mais confiante, isso me mostra que estou no caminho certo. Além disso, percebo uma valorização maior por parte dos meus clientes e mais facilidade para fechar novos negócios.
CR: Como você vê a nova geração de designers no Brasil? Tem algum nome estreante que você destacaria?
RM: As novas gerações de designers estão cada vez mais legais, gosto de ver gente que nem se formou ainda já ganhando prêmios importantes. Destaco três nomes: os meninos da Holaria, o artista e designer Mario Brandão e o ainda estudante de design Dennys Tormen. E certamente lembrarei de vários outros nomes que gostaria de ter citado.
Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br
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