COZA 25 ANOS

Formulário de Busca

Coza em Revista

Quinta, 12 de fevereiro de 2009

Ao som da sanfona, zabumba e pandeiro

por Vanessa Balula
fotos: exposição 'Cirogravuras' / créditos: divulgação Museu Nacional de Belas Artes


Parece trova de pescador, mas não é. O nordestino Ciro Fernandes, um brasileiro com suas raízes em Uiraúna, sertão "esmagado pelo sol, onde o algodão brota da terra seca", de nenhuma posse, ainda criança, menino de engenho, se pegou de amores pelo trabalho artesanal.

De lá pra cá já virou mundo por defender que "no Nordeste ninguém pode se dar ao luxo de ter uma só profissão": foi soldador e pintor de bois nas paredes dos açougues na Zona Leste da capital paulista. Dali em um salto quase quântico se viu na publicidade como layoutman no Rio de Janeiro.

Mas, foi no reduto nordestino carioca, a Feira de São Cristóvão - onde segundo ele "(...) Entra-se na feira pela fumaça, pelo cheiro de carne assada, pelo gosto da comida e o som do triângulo. Daí em diante você se perde, se some, se evapora: se via em feira."
E foi mesmo assim. Por lá Ciro se reencontrou e resgatou em sua vida a arte do sertão, que registrou em poema: "(...) cheguei lá pelos anos 70 pra fazer capa de cordel de Azulão, Expedito, Apolônio, Elias, João Lopes, Santa Helena e Mocó. Desfraldei minhas gravuras, tomei uma talagada na barraca de Maínha e rebati com caldo de mocotó. Aguada assim a semente germinou e cresceu."

Relembrando a origem da arte feita na casca de cajá e imburana - uma pequena árvore da caatinga - distribuía seus trabalhos aos poetas de cordel para que pudessem manter a tradição dos traços da xilogravura em suas obras. Todo aquele cenário tomou conta de Ciro, que hoje é um reconhecido artista e poeta.

Suas obras tomam uma das salas do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, até o dia 29 de março, na exposição 'Cirogravuras', mostra que traz o sertão nordestino em um verdadeiro diálogo da gravura com o artesanato de sua terra natal. Também serão expostas suas capas de livros para autores como Raquel de Queiroz, Autran Dourado, Ferreira Gullar e Raul Bopp.

De terça a domingo, quando a entrada é franca no Museu Nacional de Belas Artes

Formulário de Divulgação
Formulário de busca
  • Arquivo
  • EXPEDIENTE

    Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br

    'Coza em Revista' é uma publicação online da Coza sobre tendências, estilo, design e gastronomia. Todas as opiniões são de responsabilidades dos autores e não necessariamente refletem a opinião da empresa. ® 2008 Coza.

    Newsletter

    Preencha o campo abaixo e receba as matérias em seu e-mail.

    Formulário de Newsletter
    www.grafia.com.br