A excelência do trabalho do fotógrafo Marcio Scavone transforma a mostra ?Viagem à Liberdade: em busca da alma japonesa de um bairro? em uma viagem ao bairro paulista, como seu título sugere. Uma viagem a sua cultura, seus objetos, sua arquitetura e, acima de tudo, os rostos que fazem parte desse bairro vivo e pulsante. ?Transformo o bairro oriental de São Paulo numa metáfora da busca pela familiaridade numa terra estranha?, diz Scavone. ?Até mesmo os personagens que povoam a exposição e o livro assumem uma atitude atemporal, como se fizessem parte de um álbum de retratos congelado no tempo e no espaço.?
A mostra remete a uma antropologia urbana pelo olhar poético e delicado sobre os espaços tradicionais do bairro, através da presença marcante de seus habitantes. O ensaio de Marcio mostra a passagem do tempo em quarteirões, vielas, corredores, galerias, balcões de bar cheirando saquê e cerveja, templos silenciosos e lojinhas de estranhos objetos eletrônicos. Uma curiosidade de seu trabalho, realizado ao longo de 100 dias, é que boa parte de suas fotos foram feitas antes da Lei Cidade Limpa. Assim, o fotógrafo conseguiu registrar grande parte dos cartazes, placas e textos que sempre fizeram parte da paisagem tradicional da Liberdade e que hoje não existem mais. As fotografias presentes na exposição e no livro trazem o passado e o presente de um bairro significativo na construção da identidade paulistana.
Na abertura da exposição Marcio Scavone lança o livro homônimo, com versão em português e japonês. Uma homenagem à maneira japonesa de fazer livros, tem duas capas, uma ocidental e outra oriental. Ao folhear da direita para a esquerda ou na direção oposta, o leitor poderá apreciar ao todo 116 imagens coloridas clicadas porScavone. A publicação conta com a contribuição do ensaísta e professor de história de arte da Unicamp Jorge Coli.
Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br
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