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Sexta, 19 de outubro de 2007

Transformando em arte o que ia para o lixo

Cortinas de garrafas pet, almofadas de caixa tetrapack e borracha de câmara de ar, luminárias de lata de cerveja. Esses são só alguns dos objetos já criados pela artista plástica Ddaniela Aguilar, que utiliza matéria-prima reciclável no seu trabalho. A mineira ? natural de Governador Valadares, mas que mora em Maceió há 9 anos ? trabalha com materiais recicláveis desde 1992.

Iniciou com art-wear e, posteriormente, aplicou sua pesquisa em objetos (vasos, fruteiras, luminárias, cortinas), pintura e objetos escultóricos, com ênfase nos plásticos ? PET, PVC e PEAD. "Me apaixonei então pelos plásticos, desde lixo pós-consumo doméstico a, principalmente, refugos e resíduos industriais", entrega. Nos últimos dois anos, Ddaniela tem se dedicado mais à arte e a projetos conceituais, especialmente as esculturas. Em design, somente peças numeradas e em pouca quantidade.

Em 2005, criou o "Galpão 72", localizado no bairro Jaraguá, em Maceió. É um atelier-galeria de arte onde desenvolve seu trabalhos e divide o espaço com outra artista, Vera Gama, que trabalha com madeira e papel maché. Juntas, elas também desenvolvem o projeto de arte-educação "Esta rua é minha" com 100 crianças que vivem no entorno, oportunizando novas possibilidades de criação,com a interferência direta do lugar onde está inserido.

Sobre o processo criativo, diz que a construção de uma obra inicia desde o momento em que os amigos e os vizinhos juntam as garrafas. "Eles me entregam com uma total confiança de que farei daquilo 'algo de bom', ao meu olhar diário de ver o lixo como matéria-prima. O meu dia-a-dia é um convívio tão intenso com este universo do descarte, que na verdade, flui".

De 19 a 26 de outubro, participa da 7ª edição da mostra Design Connection que acontece no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires. Os produtos selecionados deveriam estar de acordo com os princípios do "remade", ou seja, serem produzidos com material de reciclado ou de reuso. Ddaniela vai expor o vaso Estrela, feito a partir de gargalos de garrafas PET pós-consumo. Elas são tramadas com fios de alumínio e no seu interior são colocadas espirais feitos a partir de latinhas de refrigerante de alumínio. Após, são aquecidas a 500 graus. "O nome 'Estrela' surgiu porque eu tinha lido Olavo Bilac 'Ora direis ouvir estrelas...' e, enquanto o construía, fiquei a recitar. Olhei, e lá estava o vaso Estrela".

por Joelma Terto

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