Se a Itália é o reino da ecogastronomia, alguns países com diversidade cultural e gastronômica, como o Brasil, estão se especializando nesta tendência, desenvolvendo técnicas e valorizando produtos locais. ?O alimento precisa ser bom, limpo e justo. Trocando em miúdos, ele deve ser gostoso, manter uma relação de respeito com o meio ambiente e manter relações justas de comercialização?, explica Roberta Sá, consultora da Secretaria de Desenvolvimento Territorial (SDT) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e coordenadora dos projetos da Fundação Slow Food para a Biodiversidade no Brasil.
A Fundação tem um acordo de cooperação com o MDA e desenvolve projetos que apóiam agricultores familiares no país desde 2004. No mundo, são mais de 140 países que recebem o apoio da Fundação para a proteção da biodiversidade através da Ecogastronomia. Entre as atividades realizadas estão a pesquisa e resgate de antigas receitas e alimentos, além da catalogação de raças de animais e espécies vegetais com risco de extinção no mundo todo. No Brasil, além do incentivo à agricultura familiar, seis produtos recebem apoio para a sua preservação: o guaraná mel da tribo Satere-Mawé, o palmito juçara, o umbu, o arroz vermelho, o feijão canapú e o pirarucu seco.
Uma das mestres da Ecogastronomia no nosso país é a chef Teresa Corção, do restaurante O Navegador, do Rio de Janeiro. De acordo com Teresa, a produção familiar leva em consideração os aspectos que norteiam os princípios do Slow Food. ?A agricultura familiar é importante na medida em que ela produz alimentos de excelência gastronômica, quer seja pela sua peculiaridade, quer seja pelo seu modo de produção?, ressalta. Formada em Comunicação Visual, mas apaixonada pela culinária, Teresa largou a carreira para abrir com a irmã, Margarida Nogueira, o restaurante O Navegador, cuja culinária é marcada por receitas criativas e pela utilização total de produtos orgânicos.
Projeto Mandioca
Teresa pertence ao movimento Slow Food, de defesa das biodiversidades gastronômicas mundiais, pesquisando, preservando e divulgando receitas regionais brasileiras. É dela o Projeto Mandioca, em atuação conjunta com a Associação Thalamus. O Projeto desenvolve ações junto a pequenos produtores, escolas e profissionais do universo da gastronomia, no intuito de valorizar a mandioca como fonte de emprego e renda, como importante elemento de combate à fome e como símbolo da identidade brasileira.
Ao pesquisar sobre a planta, descobriu que a sua importância ultrapassava o universo culinário, abrangendo aspectos econômicos e sociais. Uma das ações do Projeto são as Oficinas de Tapioca, que vêm sendo realizadas desde outubro de 2001 em escolas da rede pública, com o objetivo de difundir o amor à culinária regional, incrementar a identidade cultural brasileira, valorizar nossas raízes e ao mesmo tempo estimular a auto-suficiência, a destreza, a criatividade e a auto-estima da criança.
O Projeto Mandioca é uma oportunidade para que os pequenos produtores do setor mandioqueiro de todo o Brasil tenham seus produtos inseridos no grande mercado consumidor, de forma justa e compensadora, mas ao mesmo tempo mantenham suas características artesanais e particularidades regionais. É um incentivo para a fixação do homem no meio rural, evitando a migração para os centros urbanos, que já estão extremamente saturados, evitando também o abandono de suas raízes.
por Adriana Martorano
fotos de Le Chat Machine
Para saber mais:
- www.oriundi.com.br - site de notícias sobre a Itália, para italianos no exterior
-www.planetaorganico.com.br www.planetaorganico.com.br - tudo sobre alimentos orgânicos
- www.alimentoparapensar.com.br - site sobre ecologia, meio ambiente, alimentos orgânicos, vida saudável. Uma das organizadoras é Roberta Marins de Sá, coordenadora dos Projetos do Slow Food no Brasil.
- www.onavegador.com.br - Restaurante O Navegador - Av. Rio Branco 180, 6o andar ? Clube Naval ? Rio de Janeiro/RJ ? Fone: 21 2262 6037
Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br
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