Diga-me o que comes e te direi quem és. Este poderia ser o slogan do Slow Food, um movimento que arregimenta mais adeptos a cada dia, pessoas que valorizam a qualidade dos alimentos que comem e, assim, valorizam o modo como estes alimentos são produzidos e todas as questões ambientais, sociais e ecológicas que envolvem este processo. As pessoas que praticam o Slow Food optam por um estilo de vida saudável e ambientalmente responsável, evitando hábitos que causem estresse e desequilibrem a sua harmonia interior e exterior.
O movimento nasceu na Itália, país que por tradição valoriza o comer bem. O Slow food (comer devagar) é uma associação fundada em 1986 como resposta aos efeitos do fast food (comer rápido) e do ritmo frenético da fast life (vida rápida). Como a alimentação com produtos orgânicos e as questões ecológicas assumem cada vez mais importância, o movimento já reúne cerca de 40 mil pessoas na Itália e mais 80 mil no mundo. Os associados se reúnem em pontos de convivência, onde promovem eventos. Estes lugares são chamados de comdotte e convivium. Na Itália, são 350 e no exterior chegam a 400 pontos.
No início, seus adeptos defendiam o prazer de comer. Hoje a associação se espalhou pelo mundo todo e seus princípios tornaram-se mais abrangentes, dando forma ao que pode se chamar de ecogastronomia. O movimento hoje celebra a diferença dos sabores, restitui a dignidade cultural à alimentação, promove a educação do gosto e a luta pela defesa da biodiversidade, defendendo a produção artesanal de alimentos, os pequenos produtores e as propostas sustentáveis para a pesca e para a criação de animais.
Em 2003, foi criada na Toscana a Fundação Slow Food. Ela realiza uma série de iniciativas visando a preservação de raças de animais e espécies vegetais em risco de extinção, além de proteger métodos de produção tradicionais, salvar produtos de qualidade e seus locais de origem, com particular atenção aos países em desenvolvimento. Também organiza a Terra Madre, a conferência internacional Slow Food das comunidades da alimentação. O Terra Madre 2006 ? Incontro Mundiale tra Comunità Del Cibo, acontece de 26 a 30 de outubro, em Torino.
Austrália, China, Argentina e Itália são os quatro países, nessa ordem, que mais produzem alimentos orgânicos. Mas a Itália é o primeiro na Europa por número de produtores ? 33% do total europeu. Os italianos gastam em produtos biológicos quase 1,5 bilhão de euros ao ano, mais do que a França, para uma despesa per capita de 24 euros. No país, o surgimento do Slow Food incentivou a criação de duas universidades de gastronomia, nas cidades italianas de Pollenzo e Colorno.
por Adriana Martorano
fotos de Caroline Jaymond
Edição e redação - jornalista responsável: Vanessa Balula coza@grafia.com.br
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