Aos quarenta e cinco do segundo tempo consegui dar um pulinho na exposição Video Portraits de Robert Wilson, exibida até ontem no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. (Calma, ao longo desse post você vai ver que não está lendo um texto obsoleto, pois todo o material da exposição pode ser desfrutado na internet também! Aqui.)
O trabalho de Wilson fascina e intriga porque o observador fica imediatamente incomodado ao se deparar com as telas de alta definição de 1,5 metro de altura que retratam artistas como Johnny Depp, Winona Ryder e Brad Pitt posando por vários minutos como se estivessem em fotografias still.

Por que eles não estão se mexendo? Isso é uma pintura ou é um vídeo? O que será que vai acontecer depois? Essas são as primeiras perguntas que surgem e que lhe atraem ainda mais para os vídeo-portraits de Wilson.

Para os olhares mais atentos e reflexivos, as obras de Wilson apresentam um novo tipo de fundir mídias seculares com a tecnologia atual. Estamos falando aqui de um novo tipo de “retrato” que reúne referências encontradas na pintura, escultura, desenho, arquitetura, dança, teatro, fotografia, televisão, cinema e na cultura contemporânea.

O resultado final no monitor de alta definição se parece com uma fotografia, mas que revela a linguagem teatral altamente desenvolvida de Wilson aliada à incrível precisão e clareza do vídeo de alta definição.

Numa sala com mobiliário antigo e relicários, os organizadores da mostra no Rio resolveram colocar a cena da dançarina burlesca Ditta von Teese firme como uma pin-up sentada num balanço igualmente imóvel. Apenas a respiração e o olhar de Ditta sinalizam o movimento da cena e é impressionante como a dançarina “segura” a pose por minutos a fio. É como se a fotografia ganhasse uma força nunca vista antes.
Por isso, vale muito a pena conferir os outros retratos, como os do artista chinês Zhang Huan, que permanece imóvel com um enxame de borboletas ao seu redor; o ator Brad Pitt, retratado sem camisa na chuva; Steve Buscemi, que atua como um açougueiro; Alan Cumming, vestido de drag queen, e Winona Ryder, que aparece como Winnie, personagem principal na peça Dias Felizes, de Samuel Beckett.

Lendo sobre as justificativas das escolhas dos vídeo-portraits pelos curadores Noah Khoshbin e Matthew Shattuck, é interessante a lembrança deles sobre uma afirmação de Andy Warhol: “Se há movimento, as pessoas assistirão” – um comentário a respeito do cérebro dos répteis e que explica por que a imagem em movimento tem tamanho poder na sociedade atual. Sem dúvida é uma constatação simples e certeira (que só Warhol sabia fazer) sobre o que nos atrai hoje e que me fez vislumbrar como serão os quadros que penduraremos nas paredes de nossas casas num futuro bem próximo. Aliás, já que estamos aqui para inspirar, vale apontar que é um futuro muito próximo mesmo, pois com a chegada do iPad, a modinha de fotos usando GIFs animados – sequências de fotos que dão sensação de movimento –, está mais presente do que nunca.


O mais comentado do momento é esse com a modelo Coco Rocha, que, através da lente da fotógrafa novaiorquina Jamie, exibiu toda a sua beleza num ensaio feito em sua casa.

Sinal de novos tempos, ou melhor, de tempos que não conseguem mais ser congelados completamente.
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Por Flávia Mendonça