
Fernando e seus múltiplos. Imagem de divulgação
O Museu da Língua Portuguesa em Sampa é mais uma vez o endereço certo para quem não resiste a uma boa história e ama design.
Com a expo Fernando Pessoa, plural como o universo o Museu ganha ares lusitanos em muitas vozes.

Uma ideia de labririnto começa a se formar. Imagem de divulgação.
Confesso que o extreme make over tecnológico – habitual dos projetos da casa – por vezes me distanciam da sobremesa que, é sem dúvida a delícia de ver-sentir-e-ouvir as muitas formas de arte.
Mas como o grande lance da expo é a multiplicidade da vida e da obra do poeta, toda essa invencionice do mundo funciona azeitadinha.

Pessoas mergulhadas em poemas. Imagem de divulgação.
Logo na entrada encontramos cabines onde são projetados os versos e as palavras de Fernando e suas Pessoas – Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Em uma delas – Eu Sou Muitos – poemas dedicados à outras personas do poeta. De lá, o Labirinto. Não um labirinto qualquer.
Por lá nos achamos-e-perdemos na poesia do autor. E mais fotos, reproduções, manuscritos, documentos…
Um labirinto é sempre algo instigante e trabalha com o inesperado a cada passo. Inspirado nesse momento #Minotaurofeelings é que o cenógrafo da expo, Helio Eichbauer, traçou uma analogia com a aura de mistério que envolve a obra e a vida de Fernando Pessoa e o sentimento de lidar com o desconhecido vivido pelos grandes navegadores dos séculos 15 e 16.
Uma das grandes sacadas de Eichbauer no cenário da expo são os detalhes dados a certos espaços. “Os objetos de Pessoa ajudam a conhecer melhor sua trajetória”, declaração de quem sabe. Este é ‘porreiro’!

A cada passo uma surpresa. Imagem de divulgação.
Com esse gancho, junto a uma das pinturas consideradas mais importantes da época – o quadro de Almada Negreiros onde se vê o poeta escrevendo ao lado da edição de número 2 da revista Orpheu, um dos marcos do modernismo português -, foram dispostas / penduradas várias réplicas dos móveis. A ideia é que uma complete a outra.
“A obra do poeta é muito vasta. Nossa expectativa é que o visitante saia da exposição com vontade de ler e de descobrir mais detalhes”, conta o curador Carlos Felipe Moisés. Boa!
Destaque para algumas preciosidades como a primeira edição da obra ‘Mensagem’; com o luxo de se ter uma dedicatória do poeta. Algumas edições de suas obras em idiomas do mundo inteiro, sua correspondência com amigos e confidentes e mais fotos.
O poema “Mar português” como que transcrito em tecno tanques de areia são sem dúvida, uma atração a parte. Um delicado movimento do visitante aciona a projeção do poema sobre os banco de areia – como se cada verso fosse escrito na areia da beira do mar. Outro simples movimento e os versos desaparecem como se fossem apagados pelas ondas (também projetadas) #seligaCaymmi – “(…)o mar quando quebra na praia / É bonito, é bonito”.

Móveis suspensos, Orpheu sobre a mesa e Fernando. Imagens de divulgação.
Assim como o vídeo do documentarista Carlos Nader e roteirizado pelo também poeta bárbaro Antônio Cícero, com pessoas várias recitando Fernando Pessoa – dar voz aos poemas assim é humanizar a poesia e tornar a vida cantada e colorida.
_ No estilo ‘Você sabia?’: O livro Mensagem foi o único publicado enquanto Fernando Pessoa estava vivo. Foi escrito por longos 20 anos – entre 1913 e 1934.
Momento GPS do post: o Museu da Língua Portuguesa fica na Praça da Luz, s/nº, Centro – São Paulo.

Obras acessíveis para olhares e mais atentos. Imagem de divulgação.
Mais do que se sabe de Fernando na exposição
A expo tem a curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith. Quem assina a cenografia é o designer Hélio Eichbauer. Enquanto o design gráfico fica por conta de Heloisa Faria sob a batuta da coordenação geral de Julia Peregrino.
Fora as figurinhas duplicadas de sempre, nos créditos dos apoiadores da expo temos grandes gajos: apoio do Consulado-Geral de Portugal (SP), da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, do Centro Cultural dos Correios (RJ). A Fundação Calouste Gulbenkian também assina como patrocinadora. Com a realização da Fundação Roberto Marinho.
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por Vanessa Balula