Cabeça acústica by Marepe via Galeria Luisa Strina. Imagem de divulgação.

Marepe é Marcos Reis Peixoto. Nascido, criado e crescido em Santo Antônio de Jesus, cidade onde vive e trabalha até hoje. E, “aparecido” pelas Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. Marepe, como é conhecido no mercado das artes, é considerado um dos jovens artistas (nasceu em 1970!) mais talentosos do panorama da arte contemporânea brasileira e internacional.


Desempoladeiras, 2003/06 by Marepe. Via Artnet. Cortesia da Galerie Max Hetzler.

Com expos individuais pelo mundo e mais uma penca de coletivas nos Estados Unidos, Espanha, Itália e Alemanha, Marepe tem obras nos museus mais importantes do circuito internacional: Tate Modern de Londres, Centre Georges Pompidou em Paris… Lá fora já expôs na Bienal de Veneza, na Bienal de Sidney, na Bienal do Mercosul e no Museu Reina Sofía na Espanha, meu rei!


Tudo em clima de praia – a obra “Olê ô picolê!” by Marepe toda feita com papel de sorvete, entretela e metal. Adorei. Imagem de divulgação.

A arte de Marepe veio parar aqui no blog por divina obra de Duchamp. Sim, Marcel Duchamp, quem Marepe tem como referência e à seu estilo ready-made – o tal conceito de se apropriar de objetos da vida cotidiana e transformá-los em arte, que a gente viu por aqui. Nessa arte, Marepe é craque. Não tem tijolo, cadeirinha de madeira e guarda-chuva que siga com seu destino de sempre ao passar por Marepe. Mas, o que artista gosta mesmo (!), é de imprimir aos objetos ditos tradicionais da cultura nordestina – como os filtros de barro, bacias de metal, os telhados dos casebres, as trouxas de roupa – a sua arte. “Marepe produz arte a partir de objetos comuns, encontráveis nas ruas e feiras do Nordeste. Seu trabalho semantiza fragmentos do imaginário popular urbano e rural. Mescla esses repertórios visuais de um ponto de vista contemporâneo.”, declara Fernando Cocchiarale, crítico de arte.


Instalação na Bienal da São Paulo de 2006 – com zil guarda-chuvas. Esperando Godot e a chuva chegar. By Marepe via blog Pixel Luz.

Desde sempre Marepe se entendeu artista. Quando criança passou a infância brincando de fazer esculturas com palitos e legumes.

Infância que segue forte e marcante em sua lembrança e em sua obra, como quando em dia de São Cosme e Damião, no centro de sua cidade natal, instalou uma intervenção urbana com 2 máquinas antigas de fazer algodão doce. Em uma grande árvore bem no centro da cidade, espalhou 4 mil (ou 5 mil?!) sacos de todas as cores de algodão doce – uma deliciosa e doce recordação para a infância da criançada.

Seu ateliê é hoje em uma casa antiga na Rua Ruy Barbosa bem no centro de Santo Antônio de Jesus – é lá na simplicidade do Recôncavo Baiano, que Marepe afirma se inspirar e se encontrar em sua arte.

Sua última exposição individual Os últimos verdes, rolou na Galeria Luisa Strina em Sampa. E foi um sucesso. Uma das obras mais faladas da expo foi a Camas de Vento – onde Marepe deu asas às camas de armar. Um sonho!


Camas de Vento by Marepe – asas em camas de armar. via via Galeria Luisa Strina. Imagem de divulgação.

Enquanto não chega a hora de acordar, Marepe segue trabalhando firme para três galerias – de São Paulo, NY e Berlim. E em sua agenda muitas expo marcadas até 2011!

Mais sobre Marepe

Sobre seu nome: “Eu assinava Marcos Peixoto, mas não me agradava. Queria fazer uma homenagem aos meus pais. Então, peguei as duas primeiras letras de Marcos Reis Peixoto, e deu Marepe”, explica.

Por Vanessa Balula