Navedenga © 2009 Ernesto Neto. Clicks da instalação título © 2010 Jason Mandella.

por Vanessa Balula

Após 3 anos “escondida nos porões” do MoMA, em Nova York, a arte do carioca Ernesto Neto é apresentada ao público, com o destaque esperado – toma conta do espaço de toda uma sala do museu. E por lá ficará até o fim de abril sob o título “Navedenga” – uma de suas primeiríssimas obras interativas de muito, muito, muito grandes proporções, onde o público passeia por entre suas reintrâncias. Criando um estilo que transita entre a escultura e a instalação.

Uma grande estrutura criada em tecido branco, como meias de poliamida e outros materiais mais flexíveis como poliestireno, em forma de distendidos e esticados sacos com diferentes pesos e conteúdos – bolinhas de chumbo, polipropileno (nosso velho conhecido aqui na Coza), especiarias, miçangas, espuma – trabalhando também com as transparências e filtragens de luz. Dito assim não se chega à nenhuma imagem mental do que de fato é. Há quem diga que a obra passa a ideia de uma espécie de barraca de camping, mas isso só vale para quem nunca brincou de acampamento com o lençol amarrado na estante e no sofá da sala. Sem qualquer pretensão crítica, para mim Neto parece ter ficado mais próximo de uma estrutura orgânica do que da balela rasteira do acampamento.


Navedenga © 2009 Ernesto Neto. Clicks da instalação título © 2010 Jason Mandella.

Aliás, parece que não só para mim, relis público, mas também para Nora Lawrence, a curadora / comissária da expo, que declarou à Agência Efe: “Navedenga se destaca por seu caráter orgânico e seu traço transitório e temporário, porque, apesar da aparente grandiosidade, pode ser transferida em uma simples mochila”.

Pesquisando mais um tanto da obra do artista, me percebo menos alienada visualmente do que imaginava – por vezes a chamada Arte Moderna, nos formata sob um rótulo de excluídos culturais! -, quando leio que seu trabalho é interessante por suas “superfícies sensuais e arredondadas, que remetem ao corpo humano, usando materiais flexíveis e maleáveis que lembram a textura da pele”. Não foi mesmo o que eu disse?


© 2009 Ernesto Neto via Anoumena

O neologismo “Navedenga” criado por Neto, que dá título à obra, é uma inspiração livre sobre a palavra “nave”. Parte integrante de toda uma coleção de ‘naves’ do capitão E.Neto, que dizem, sugerir a ideia de uma viagem íntima e expansiva(?). Sim, há quem afirme que se trata de uma ‘conjunção de opostos’: feminina e masculina, íntima e expansiva… Há ainda quem se aventure em outras ‘viagens’ – e interpretações: “tanto uma nave espacial quanto um útero materno”, é o que se sabe a partir do MoMA. O que mais um pouco faria do artista um criador de Cocoons, um berçário de Aliens ou para não fugir do assunto do momento, um refúgio digno de James Cameron para os seus Navi´s. É, talvez esta seja uma das impressões a se desconsiderar sobre sua obra.

A proposta de criar ambientes com esculturas em telas translúcidas vem desde o final da década de 90, quando Neto abandonou a linha mais convencional, impondo limites à forma, e, mergulhou em uma nova fase: esculturas que tomam conta do entorno. “Navedenga” é mais um exemplo que, também se propõe a ser uma experiência sensorial por estar recheada de cravos da índia e outras especiarias aromáticas.


© 2006 Ernesto Neto via Anoumena. “Leviathan Thot” em pleno Panthéon in Paris

O MoMA já foi cenário de algumas outras instalações do artista brasileiro, que é considerado um dos mais influentes da atualidade e com maior presença no circuito internacional. Ele que, se considera um ‘herdeiro’ da geração de artistas como Lygia Clark e Hélio Oiticica, que deram um gás na interação do público com a obra artística.

Então se o seu destino nos próximos meses for NY, não deixe de visitar o MoMA e suas incríveis gift shops em 3 endereços na Big Apple.

Até 26 de abril no The Museum of Modern Art - 11 West 53 Street New York, NY 10019